O Mestre aos 100 anos
Quando Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares nasceu, o presidente do Brasil era Afonso Penna, o sexto da jovem República. O 14 Bis voara pela primeira vez no ano anterior. Na Avenida Central (hoje Rio Branco), nascia o Carnaval de corso com famílias ricas desfilando de automóvel. O mundo mudou e mudou com os traços do nosso Oscar Niemeyer. Mas ele finge que isso - os 100 anos e sua obra - não tem lá grande importância. “A vida é um sopro. Cada um de nós chega, conta a sua historinha e desaparece para sempre”, diz Niemeyer a O DIA.

Com um pouco de dificuldade para enxergar e ouvir, mas totalmente lúcido, Niemeyer continua tocando seus projetos, entre eles um centro cultural em Astúrias, na Espanha; um sambódromo e uma praça em Brasília; um centro cultural no Chile, e um centro administrativo em Belo Horizonte. “O que é mais importante para ele neste momento é a criação de Escola de Arquitetura e Humanidade, em Niterói”, conta Ana Lúcia Niemeyer, presidente da fundação que leva o nome do avô. O arquiteto presta atenção ao que acontece do lado de seu escritório e se mostra otimista com o futuro da arquitetura: “Não faltam arquitetos de talento, dentro e fora do País”. Só reclama do gosto pela “exibição de materiais construtivos caros e sofisticados”.

"Quando uma forma cria beleza, tem na beleza sua própria justificativa. A vida é chorar e rir a vida inteira. Aproveitar os momentos de tranqüilidade e brincar um pouco. Depois, os outros,é agüentar. A vida é um sopro, né? Passei a vida sobre a prancheta, mas, para mim, a política importa mais que a arquitetura. Quando sentir que a coisa tá ruim demais, que a esperança fugiu do coração dos homens, aí é a revolução"

Niemeyer acorda às 9h, toma café e vai para o escritório, na Nossa Senhora de Copacabana. Faz pausa para almoço às 12h30 — “Adora picadinho com ovo frito”, diz Ana Lúcia — e retorna ao batente por volta das 13h30. De sobremesa, come todos os dias creme de abacate e sorvete de creme. No fim da tarde, recebe os amigos. À noite gosta de ir jantar com a mulher, Vera, e amigos. Dorme entre meia-noite e meia e 1h. Nos fins de semana, costuma ir a Maricá. “O que me domina é a certeza de que a vida é mais importante do que a arquitetura – a vida, a mulher, os amigos, a família, este mundo marcado pela desigualdade social”, discursa o arquiteto. Um século de vida não tira do mestre os sonhos. “Tenho a esperança de que sejam cada vez mais reduzidas no Brasil as disparidades econômicas e sociais”, diz. Avesso às comemorações, Niemeyer passou o aniversário com a família e amigos na Casa das Canoas, em São Conrado.

fonte: o dia on-line
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